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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

[Fé]rida


‎"Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas."

[Marla de Queiroz]


A dor vem. Com seus passos lentos e silenciosos.
Como a mansidão de um cochilo de domingo às três da tarde.
De quando em vez é flecha que encontra o peito como alvo.
E fere rapidamente. E sangra rapidamente. E sara quase nunca.

A dor vai. Acompanhada de um suspiro, arrebenta o que ainda a prendia. Libertar a dor é ofício difícil.
Tanto quanto mantê-la aprisionada.

A ferida fica lá.
Mesmo sarada na superfície, nas entrecarnes ela permanece.

Vem cá, passe aqui sua mão.
Sentes?
Ainda bate e sangra e pulsa.
Apesar da cicatriz.





"Não é, Ruaana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. 

É que eu Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho."

Ezra Pound


Um fragmento de Neta. Evenice Netíssima.

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