"Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas."
[Marla de Queiroz]
A dor vem. Com seus passos lentos e silenciosos.
Como a mansidão de um cochilo de domingo às três da tarde.
De quando em vez é flecha que encontra o peito como alvo.
E fere rapidamente. E sangra rapidamente. E sara quase nunca.
A dor vai. Acompanhada de um suspiro, arrebenta o que ainda a prendia. Libertar a dor é ofício difícil.
Tanto quanto mantê-la aprisionada.
A ferida fica lá.
Mesmo sarada na superfície, nas entrecarnes ela permanece.
Vem cá, passe aqui sua mão.
Sentes?
Ainda bate e sangra e pulsa.
Apesar da cicatriz.
"Não é, Ruaana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros.
É que eu Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho."
Ezra Pound
Um fragmento de Neta. Evenice Netíssima.

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